17,5% do Brasil já queimou pelo menos uma vez nos últimos 20 anos

queimada-mt-greenpeace (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

 

Nos últimos 20 anos, 1,5 milhão de km² ou 17,5% do território brasileiro queimou pelo menos uma vez. A maior parte (68%) estava coberta por vegetação nativa, enquanto 32% era usada para agropecuária. Em média, uma área de 177 mil km² queima todo ano, ou 2,1% do país.

Os dados inéditos fazem parte do MapBiomas Fogo, lançado nesta quinta-feira (3/12). O sistema consolidada informações sobre a área queimada a cada ano no país, de 2000 a 2019, com localização, frequência e o tipo de cobertura e uso da terra associado, como floresta, savana, agricultura ou pasto, entre outros. 

 

Mais de 330 mil km² das florestas existentes hoje no Brasil pegaram fogo nos últimos 20 anos e dessas, 195 mil km2 (59%) queimaram duas vezes ou mais. É o caso da Amazônia, local de 28,7% da área total queimada em 20 anos, em que metade dos 427 mil km² afetados queimou mais de uma vez num mesmo lugar.

“O incêndio em florestas tropicais não é natural. Ele é causado principalmente pela ação humana alimentada por um ambiente mais seco, que faz o fogo escapar de um pasto ou de uma área desmatada, por exemplo, e entrar na mata”, explica a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar, coordenadora do grupo que fez o trabalho. 

 

Em termos de área, o Cerrado foi o bioma mais atingido no período: 41% de sua extensão foi afetada pelo fogo pelo menos uma vez, e 76% do que queimou era vegetação nativa. “O Cerrado, diferentemente da Amazônia, é um bioma que evoluiu com o fogo. Ainda assim, as transformações na paisagem podem ter impacto na incidência das queimadas”, explica Ane.

Quando se observam os aspectos fundiários, 59% da área queimada ao longo dos últimos 20 anos estava dentro de áreas privadas, 18% em áreas protegidas e 6% em assentamentos.

 

Disparada desde 2019

 

No ano passado, foram queimados mais de 203 mil km², o que representa 2,4% do território, sendo que 72% ocorreu em vegetação nativa e 28% em locais de uso agropecuário. A área queimada em 2019 foi 55% maior do que em 2018, quando somou 130,5 mil km².

O Pantanal foi o bioma com maior aumento: alta de 996% de área queimada em 2019 na comparação com 2018. Na Amazônia, a área queimada cresceu 65%. No Cerrado, a expansão da área atingida pelo fogo foi de 40%.

 

“O mapeamento é fundamental para entender o regime de fogo no Brasil, que leva à degradação das vegetações nativas e tem impacto na saúde das pessoas, nas mudanças climáticas, na biodiversidade e na economia”, afirma o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo.