Apesar de queda na produção, setor de máquinas fechou 2020 com alta de 7,3% nas vendas

colheita-fendt--colheitadeira-maquinas-soja (Foto: Divulgação)

 

O cenário para o mercado de veículos automotores e máquinas agrícolas no Brasil para 2021 ainda está sob neblina. O setor fechou o ano de 2020 com um recuo de 31,6% na produção, voltando para o patamar de 16 anos atrás.

O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (8/1) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Apesar dos resultados negativos no ano, atribuídos aos efeitos da pandemia, a projeção é de uma recuperação de 25% em 2021.

 

 

 

Apesar de a produção de máquinas agrícolas ter crescido 117,6% em dezembro de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior, caiu quase 10% considerando o acumulado do ano.

“Março, abril e maio foram muito críticos durante a pandemia, com fábricas fechando, e carregamos esse efeito no acumulado do ano”, ressaltou o vice-presidente da Anfavae para o segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias, Alexandre Bernardes.

 

 

 

Por outro lado, as vendas reagiram e fecharam o ano 7,3% maiores do que em 2019. Só em dezembro, foram vendidas cerca de 5 mil unidades, crescimento de quase 50% em relação ao mesmo mês de 2019 e alta de 17,2% na comparação com novembro. Para 2021, a previsão é de que haja um aumento de 5% na comercialização.

“As projeções para 21 são muito positivas. Temos grande parte da safra 2020/2021 já comercializada em patamares bastante interessante (o restante também será comercializada em valores elevados), câmbio em patamar bom, clima favorável em grande parte do país e recursos financeiros disponíveis para investimentos fazem com que tenhamos boas expectativas, principalmente nesses primeiros 4 meses deste ano”, avalia Bernardes.

Ainda impactados pela pandemia do novo coronavírus, que provocou a interrupção de um ciclo de três anos de recuperação após a última crise de 2015/2016, o setor considera o crescimento previsto para este ano como “insuficiente para recuperar os patamares de 2019”.

ICMS em SP

Aliado a isso, o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado de São Paulo – duramente criticado pelo setor – e o atraso na reforma tributária tendem a desestimular o mercado interno de veículos.

 

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, mostrou o descontentamento e insatisfação com o governo do Estado de São Paulo devido à mudança no ICMS, que passará dos atuais 12% para 13,3% a partir de 15 de janeiro e subirá para 14,5% em abril para veículos novos e usados.

“A gente não imaginava que pudesse acontecer, mas infelizmente foi publicada a medida, apesar de termos recomendado e alertado que esse não era o momento. A reforma tributária, que já era urgente, torna-se ainda mais necessária. O sistema tributário brasileiro destrói empregos, investimentos, pesquisa, prejudica montadoras, lojistas de usados e concessionárias. O mercado vai reagir (negativamente) a isso”, criticou Moraes.

 

 

 

Bernardes também comentou que o aumento do ICMS impacta direta e indiretamente, na medida que outros segmentos serão atingidos com a sobrecarga do tributo. “O Estado poderia trabalhar com outras medidas neste momento para tentar sanar seus problemas com seu caixa”, destacou. 

Além da extensão da crise sanitária e do aumento da carga tributária, os desafios deste ano para o setor incluem a fragilidade do mercado de trabalho, questões de logística e oferta (peças e serviços) e o desafio fiscal com a dívida do externa, crescimento do PIB e flutuação cambial desfavorável ao real.

Segundo Bernardes, embora haja dificuldades em relação aos recursos do Moderfrota, o BNDES tem disponibilizado recursos necessários aos clientes, com prazos interessantes e juros levemente superiores ao Moderfrota. “O importante é ter a disponibilização de recursos. Além do BNDES, vemos também linhas interessante dos bancos comerciais e de montadoras”, ressalta.

 

Balanço e projeções

 

Dezembro foi o melhor mês em vendas de autoveículos em 2020 (243.967 unidades), com média diária de 11,6 mil unidades. Para 2021, a projeção é mais limitada, com uma média de 9,3 mil unidades por dia. 

O segmento de caminhões teve o melhor mês de dezembro desde 2014 na produção, com uma alta de 75,5% em relação a dezembro de 2019, embora tenha vendido menos (-8,6%) na comparação com novembro. No acumulado do ano, no entanto, a queda foi de quase 20% em unidades produzidas. 

 

Já as exportações totais de autoveículos, máquinas agrícolas e rodoviárias somaram US$ 7,4 bilhões em 2020 e, nas projeções da Anfavea, devem chegar 2021 em US$ 8 bilhões (+9%). As exportações de máquinas agrícolas e rodoviárias tiveram retração de 35% em dezembro, quando comparado com o mesmo mês de 2019, e de 33,3% no acumulado do ano.

“O mercado latino-americano ainda sofre com os efeitos da pandemia e a economia não está como gostaríamos. Mas esses números mostram que o mercado vem crescendo, está todo mudo empenhado na produção de máquinas para nossos clientes. O governo não deixou o nosso cliente desassistido para linhas de crédito. Também mostra o apetite dos nossos clientes”, reforçou Bernardes.