Arroba do boi deve continuar em alta, diz frigorífico gaúcho

carne-boi-preco (Foto: Elvis Fernandes/Divulgação)

 

Conversei na tarde de sexta (29/11) com Gabriel Moraes, diretor e sócio do Frigorífico Silva, localizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que abate 700 bois ao dia. É um dos maiores Estado e uma boa parte da carne gourmet que produz é direcionada para o disputado e exigente mercado consumidor de São Paulo.

Gabriel acredita que o alto preço pago pela arroba do boi e a consequente subida na cotação  para o consumidor brasileiro seguem uma tendência e não deverão mudar muito no curto prazo. Ele reforça, porém, que não existe o menor risco de desabastecimento no mercado interno, concordando assim com a opinião da ministra da Agricultura e Pecuária Tereza Cristina. Ela negou em entrevista qualquer possibilidade de falta de carne na mesa dos brasileiros.

“A forte demanda da China pela carne bovina brasileira realmente tem dificultado e tirado o produto do mercado interno. Os frigoríficos, para manter a compra, entram na disputa com os exportadores e esse processo eleva a cotação da arroba, ” disse Moraes.

 

Para se ter ideia, o preço da arroba teve aumento real de 35% em um mês, em São Paulo, segundo o indicador do boi gordo Esalq/B3. É um novo recorde histórico desse índice.

E a tendência, para 2020, é o preço permanecer em ascensão, ressalta Gabriel Moraes. “Acredito que a China vai acelerar suas compras”, afirma. “E a oferta interna está e continuará enxuta.”

A oferta interna está e continuará enxuta
Gabriel Moraes, diretor e sócio do Frigorífico Silva

Em outro ponto, o diretor do Frigorifico Silva manifesta opinião semelhante à da ministra. É quanto ao represamento no preço do boi há pelo menos três anos e cuja arroba saia cotada a R$ 140, em média. Na euforia dos últimos dias, uma arroba foi vendida a R$ 230.

Pois bem, é certo também que o nosso contrafilé registrou índices de aumento acima de 50% e o coxão mole, de 46%, no preço de custo. Esse acréscimo acaba sendo repassado ao consumidor, segundo a Associação Brasileira de Supermercado (Abras). Está nos jornais.