Banco do Brasil planeja abrir 14 agências especializadas em agronegócio até março

Sede do Banco do Brasil em São Paulo 24/3/2020 (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

 

Em meio a mudanças em sua estrutura de atendimento, o Banco do Brasil anunciou que vai reforçar o relacionamento com o setor agropecuário. Serão criadas 14 agências especializadas para atender desde agricultores familiares até grandes produtores.

Com a ampliação, o banco passará a ter 18 unidades nesse formato em pelo menos sete Estados. A estratégia vem sendo consolidada desde 2019, disse o vice-presidente de Negócios de Varejo do banco, Carlos Motta, em resposta por e-mail a questionamentos feitos pela Revista Globo Rural.

 

Dois anos atrás, foram criadas as primeiras agências especializadas no atendimento à agropecuária, de modo piloto, em Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Campo Mourão (PR) e Uberlândia (MG).  

Nessa nova fase, a estratégia está sendo levada também para Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. A expectativa, de acordo com o executivo, é inaugurar essas novas unidades entre fevereiro e março deste ano. 

 

“A ação dá sequência ao avanço dos modelos de especialização no relacionamento e reforça ainda mais a nossa presença no agronegócio”, disse Mota. “Esse movimento da especialização potencializa as ações do Banco do Brasil no Agronegócio, atuando de forma sistêmica e abrangente”, acrescentou. 

O executivo destacou ainda que a instituição também vem reforçando sua rede de atendimento ao setor, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rondônia, Minas Gerais e Goiás. Segundo Motta, apenas nesses Estados, houve um crescimento de 55% na atuação do Banco do Brasil no agro.

 

Ainda de acordo com o vice-presidente de Negócios de Varejo, a estrutura de relacionamento do Banco do Brasil com a agropecuária está distribuída por pelo menos 643 praças nas diversas regiões, por meio de agências especializadas ou outros pontos de atendimento. 

“Nossa proposta de valor para o cliente agro se materializa com a possibilidade atendimento digital pelo aplicativo BB, atendimento gerenciado e exclusivo para esse segmento e visitas negociais às propriedades”, ressaltou Motta. 

 

Em relação ao atendimento digital, o executivo destacou que o banco lançou soluções que permitem contratar ou renovar contratos de crédito de custeio e operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Além disso, os produtores rurais têm acesso à Cédula de Produto Rural (CPR) Digital. De acordo com Carlos Motta, cerca de 80% das operações são concretizadas de modo online. 

 

Agências fechadas e demissões

 

O anúncio das novas agências especializadas em agronegócio foi feito no início desta semana, em Fato Relevante sobre mudanças na estrutura de atendimento da instituição. Ao mesmo tempo em que amplia a rede especializada, o BB anunciou a desativação de 361 unidades, entre agências, escritórios e postos de atendimento. 

Foi criado também um programa de remoção de pessoal e outro de demissões voluntárias, que, nas estimativas da empresa, devem ter a adesão de cerca de 5 mil funcionários. A economia prevista com as mudanças é de R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025, de acordo com o Fato Relevante.   

 

“A reorganização da rede de atendimento objetiva a sua adequação ao novo perfil e comportamento dos clientes e compreende, além das medidas de otimização de estrutura, outros movimentos de revisão e redimensionamento nas diretorias, áreas de apoio e rede, privilegiando a especialização do atendimento e a ampliação da oferta de soluções digitais”, informou. 

A Revista Globo Rural questionou o Banco do Brasil sobre eventuais impactos no atendimento aos clientes do agronegócio em regiões que devem ser afetadas pelo fechamento de agências e postos de atendimento. Segundo Carlos Motta, a instituição está atenta à questão geográfica e busca manter a complementaridade do atendimento. 

Nos municípios em que há ajustes na rede física, o Banco do Brasil se fará presente, seja através da Loja BB, que inauguramos agora, de parceiros e correspondentes bancários. Importante ressaltar que foi observado em 2020 uma forte aderência dos produtores rurais às ferramentas e soluções digitais que o BB disponibiliza
Carlos Motta, vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco do Brasil

 

Troca de presidente

 

Nesta quarta-feira (13/1), foi divulgado que o comunicado da reorganização administrativa do Banco do Brasil não foi bem recebido pelo Palácio do Planalto, que cogitaria trocar o presidente da instituição, André Brandão, no cargo desde setembro de 2020.

De acordo com o jornal O Globo, o anúncio do banco desagradou o presidente Jair Bolsonaro, que já estaria procurando nomes para substituir Brandão. Conforme o jornal, um dos cotados seria Mauro Ribeiro Neto, atual vice-presidente corporativo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, no entanto, ainda tenta manter o atual presidente no cargo. 

 

Nesta quinta-feira (14/1), o Banco do Brasil divulgou novo Fato Relevante negando ter recebido qualquer comunicação formal por parte se seu acionista controlador – o governo federal – sobre qualquer decisão a respeito do que chama de “suposta” destituição de André Brandão. 

“O Banco do Brasil S.A. (“BB”) informa que não recebeu no âmbito de seus órgãos de governança nenhuma comunicação formal por parte do acionista controlador sobre qualquer decisão a respeito do assunto”, diz o comunicado.