Clima e atraso no plantio levam Conab a reduzir estimativa de safra de grãos

A 10ª estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a colheita de grãos na safra 2020/2021 é de 260,8 milhões de toneladas, 1,3 milhão abaixo da estimativa anterior, mas ainda 1,5% maior do que a safra 2019/2020, de 257 milhões de toneladas. A área plantada foi estimada em 68,8 milhões de hectares, um incremento de 4,4% ou 2,9 milhões de hectares. Os dados foram divulgados pela companhia nesta quinta-feira (8/7).

Colheita de milho em Xanxerê (SC) (Foto: REUTERS/Inae Riveras)

 

A queda, segundo os técnicos, se explica pelo atraso no plantio das culturas de primeira safra, aliado ao comportamento irregular do clima. Esses fatores impactaram negativamente o potencial produtivo das culturas de segunda safra, sobretudo do milho, resultando em alterações significativas na produtividade.

“Infelizmente, faltou água. A soja teve excesso de chuva na colheita, plantamos o milho mais tarde e tivemos um ano de La Niña, quando o estresse hídrico é ainda maior”, explicou Sergio De Zen, diretor de política agrícola da Conab.

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O diretor-presidente Guilherme Ribeiro afirmou que os números finais da safra ainda dependem da colheita das culturas de segunda safra e do algodão que estão em andamento, e das culturas de terceira safra (casos de feijão e milho), além das culturas de inverno, com os plantios em fase final de semeadura.

A cultura que teve mais impactos na queda da estimativa foi o milho devido à queda de 17,5% na produtividade da 2ª safra em relação à safra anterior, mas a área plantada cresceu 8,1%. A estimativa de produção total do cereal ficou ainda acima de 93 milhões de toneladas.

 

Já a produtividade da soja, apesar das irregularidades climáticas, registrou um incremento de 4,5% em relação à safra 2019/2020. A área plantada também subiu 4,2%, atingindo 38,5 milhões de hectares, incentivada pela alta dos preços internacionais, aliado ao dólar elevado. Com isso, o principal grão produzido e exportado pelo país, que tem sua colheita já encerrada, fecha a safra com uma nova produção recorde de 135,9 milhões de toneladas ou 8,9% maior do que o volume do período anterior.

O algodão, que já teve a colheita iniciada em algumas regiões, confirma uma redução de quase 18% na área plantada e uma diminuição da produtividade, que devem provocar uma redução de 22% na safra em relação ao recorde estabelecido no período anterior, ficando em 2,34 milhões de toneladas de pluma. Já em relação ao consumo interno, dado ao avanço da vacinação, ao menor isolamento e à retomada verificada da economia brasileira, projeta-se a demanda doméstica em 715 mil toneladas, volume 5% superior ao projetado no 9º levantamento, de junho.

 

A safra de arroz, liderada pelos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, chegou ao fim com um resultado superior ao da temporada passada, com leve aumento na área plantada e na produtividade média, que acarretaram uma produção de 11,8 milhões de toneladas, volume 5,2% maior do que o registrado em 2019/20.

O trigo, que está em período de plantio, teve sua estimativa de produção elevada quase 23% e deve fechar em 8,48 milhões de toneladas. O número representa um aumento de 36% em relação à safra 2019/20, que ficou em 6,94 milhões de toneladas. O motivo para esse aumento é a perspectiva de maior área de plantio, avaliada pela Conab em 2,6 milhões de hectares ou 12,3% maior que a safra anterior.