Colheita de soja avança pouco e tempo instável tende a atrasar ainda mais a safra

campo-economia-soja-janeiro-2017 (Foto: Sergio Ranalli)

 

A consultoria AgRural manteve inalterada sua previsão de safra de soja no Basil em 2020/21. “Apesar de ajustes de produtividade em diversos Estados, o número ficou em 131,7 milhões de toneladas, praticamente inalterado em relação à estimativa de dezembro”, informou a consultoria em comunicado divulgado nesta segunda-feira (25/1).

Segundo a AgRural, caso o clima continue colaborando com as lavouras mais tardias, a revisão de fevereiro poderá trazer ajustes positivos de produtividade no Rio Grande do Sul e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

 

Com relação à colheita da safra 2020/21 da oleaginosa, a AgRural destaca que 0,7% da área no Brasil estava colhida até quinta-feira (21/1). O número representa avanço de apenas 0,3 ponto percentual sobre os 0,4% de uma semana antes e é inferior aos 4,2% do mesmo período do ano passado.

“Por conta do atraso da soja, ainda não há plantio de milho safrinha”, comenta a consultoria. Volumes significativos de chuva em grande parte das áreas produtoras foram observados na semana. Com poucas lavouras já prontas, em virtude do atraso no plantio, as precipitações favorecem a produtividade, beneficiando as áreas em floração e enchimento de grãos.

 

As chuvas constantes, com poucas aberturas de sol, o céu encoberto e a baixa luminosidade dificultam, no entanto, a colheita das primeiras áreas. O tempo instável tende a atrasar a safra ainda mais, “pois afetam a fisiologia da soja e podem alongar o ciclo da cultura em alguns dias caso o padrão mais chuvoso continue”, conclui a AgRural.

Cautela na indústria

Enquanto isso, boletim divulgado nesta segunda-feira (25/1) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP) aponta preocupação entre as indústrias nacionais devido à baixa oferta e à colheita tardia da soja, o que deve retardar a entrega do grão às processadoras.

Esse cenário tem elevado os preços internos do farelo de soja, dizem os pesquisadores. “Outro fator que dá sustentação aos valores do derivado de soja é o bloqueio de caminhoneiros nas estradas da Argentina, que tende a atrapalhar os embarques no país vizinho”, destaca o Cepea.