Com diversas finalidades, castanha-portuguesa pode gerar renda ao produtor

Presente aqui principalmente no cardápio das ceias de Natal e Ano-Novo, a castanha-portuguesa também tem outras finalidades que geram renda para os agricultores. A fruta, que tem registros de consumo há mais de 6 mil anos e já foi base da alimentação de diversos povos na Idade Média, com uso em sopas, guisados e cozidos, e, na preparação de
pães e biscoitos, é ingrediente para a elaboração do tradicional marromglacê e matéria-prima para a produção de farinha, além de sua árvore ser fornecedora de madeira para o setor
de construção, fabricação de móveis e cultivo de cogumelos shiitake.

castanha-portuguesa (Foto: Getty Images)

 

Considerada de alto valor, pela diversidade da cadeia produtiva, rústica e de fácil adaptação às condições climáticas, em especial nas regiões Sul e Sudeste, a fruteira é uma ótima opção
para a agricultura familiar. Longeva, pode viver por mais de 150 anos, com crescimento rápido nos primeiros dez anos. A planta ainda tem papel importante na preservação do meio ambiente, devido ao porte arbóreo, às raízes profundas e por ser alimento apreciado
por vários animais silvestres.

No comércio alimentício, a castanha-portuguesa é um produto com bom apelo nos pontos de venda. Suculenta, doce e saborosa, é dotada de poucas calorias e possui nutrientes
benéficos à saúde, como glicídios, potássio e vitaminas B e C, que contribuem na prevenção de doenças coronarianas e gastrointestinais, hipertensão e diabetes. Tem ação fortalecedora
do sistema imune e é protetora contra os radicais livres.

 

Originária da Ásia e da Europa, a castanha (Castanea) da família Fagaceae tem várias espécies pelo mundo, sendo a daqui cunhada como portuguesa por ter sido trazida para cá da Península Ibérica na época da colonização. O plantio comercial da fruteira no país avançou somente a partir da década de 1960. Atualmente, a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) possui uma coleção com mais de 20 cultivares.

Por necessitar de polinização cruzada, o pomar deve contar com cultivares diferentes, a fim de assegurar uma boa frutificação.Arecomendação é plantá-las próximas umas das outras, pois o pólen das flores pequenas e esbranquiçadas é transportado por insetos ou pelo vento por até 10 metros. O fruto é formado por três castanhas de cor creme, revestidas por tecido lenhoso e envolvidas por casca coberta por espinhos. Por isso é chamado de ouriço.

Mãos à obra

INÍCIO: Compre de produtores idôneos mudas de qualidade, com boa cicatrização da  enxertia e folhas bem desenvolvidas e sadias. Mudas embaladas podem ser encontradas nos Núcleos de Produção de Mudas da CDRS, pertencentes à Secretaria de Agricultura e
Abastecimento do Estado de São Paulo, distribuídos pelos municípios de São Bento do Sapucaí, Itaberá, Marília, Pederneiras e Tietê.

AMBIENTE: Oriunda de países com clima temperado, prefere temperaturas amenas, o que, junto com um período do ano sem chuvas, também ajuda as castanhas a passar pela dormência. Entre 25 ºC e 30 ºC é a faixa ideal para o crescimento e amadurecimento dos frutos, sendo possível o desenvolvimento em regiões com médias mais baixas, desde que não haja ocorrência de geadas.

PROPAGAÇÃO: Em pomar comercial, recomenda-se usar o método de enxertia sobre porta-enxertos de um ano de idade, com cultivares compatíveis. Plantas procedentes de sementes podem apresentar produção de frutos desuniformes e sem padrão.

PLANTIO: Indica-se instalar o castanhal em terreno de meia encosta e com fácil drenagem. Se voltado para o norte, melhor, pois tem maior exposição à luz solar, fator importante para a indução floral e a produção dos frutos. O solo deve ser bem drenado, ter pH entre 5,5 e 6,5 e  submetido a uma análise química, cujo resultado é base para a adubação das covas, que precisam ser abertas um mês antes, com medidas de 60 x 60 x 60 centímetros. No plantio, faça uma coveta do tamanho do torrão da muda. Com um canivete desinfetado, elimine as raízes enoveladas, cortando o saquinho 1 centímetro acima do fundo, e plante a muda no centro da cova, deixando 1 centímetro acima do nível do solo.

Saiba como plantar e como criar em Vida na Fazenda

ESPAÇAMENTO: Pode ser de 6 a 12 metros de distância entre as castanheiras, mas plantações mais  adensadas oferecem maior retorno por hectare nos primeiros anos. Exigem, no entanto, desbaste de árvores quando as copas começam a se tocar.

PODA: Nos primeiros dois ou três anos, deve ser leve e, em geral, a condução é em forma de taça aberta. Após o plantio, desponte a haste única do enxerto da muda entre 90 e 100  centímetros de altura. Na poda de formação, estimule as ramificações abundantes e, na de frutificação, realizada no período de dormência, de maio a julho, elimine os ramos finos,  secos, mal posicionados ou em excesso. Evite executar em dias chuvosos ou com ar muito úmido.

PRODUÇÃO: A abertura espontânea do ouriço é a melhor indicação de que a castanha atingiu a sua maturação. Seco, ao se partir libera o fruto, que pode ser colhido com uso de botas e luvas, para não se machucar com os espinhos do ouriço.

RaioX

SOLO: bem drenado e com pH entre 5,5 e 6,5

CLIMA: melhor se mantiver na faixa de 25 ºC a 30 ºC, podendo ser menor, desde que não ocorra geada

ÁREA MÍNIMA: pode ser iniciada com 30 plantas em 2 mil metros quadrados

COLHEITA: por se tratar de mudas enxertadas, ocorre florescimento no ano seguinte ao
plantio, mas recomenda-se retirar as flores nos dois primeiros anos, para não comprometer a boa formação inicial da estrutura da planta 

CUSTO: preço da muda oscila entre R$ 15 e R$ 30