Como criar rosella adscitus: o pássaro de bico torto

A sobreposição de cores vivas e vibrantes das penas foi o meio utilizado pela rosella adscitus (Platycercus adscitus) para se camuflar – e assim se proteger dos predadores – na natureza do nordeste da Austrália, de onde é originária. De grande beleza, o colorido adotado como estratégia de defesa pela ave tornou-se, ao longo de anos, o apelo comercial de suas criações, que se espalharam da Oceania pelo mundo.

Também chamada popularmente de “rosela de cabeça pálida”, por ter nessa região do corpo um leve tom creme, a ave possui um círculo branco em cada lado da face e, nas costas, anéis em amarelo e azul pincelados de preto, que se estendem pela longa cauda, em cuja parte inferior ainda há a presença de penas vermelhas. Da ancestral combinação de cores muitas outras versões policromáticas e exóticas também surgiram com a realização de cruzamentos da espécie.

A tonalidade admirável da plumagem do pássaro de bico torto pertencente à família dos psitacídeos, que inclui periquitos e papagaios, é bastante valorizada. (Foto: Creative commons / JJ Harrison)

 

A tonalidade admirável da plumagem do pássaro de bico torto pertencente à família dos psitacídeos, que inclui periquitos e papagaios, é bastante valorizada. No mercado brasileiro, as cotações da rosella adscitus chegam a superar o patamar dos R$ 6 mil, possibilitando ao produtor um retorno rentável e, em curto prazo, a recuperação do investimento inicial.

Além do visual atraente e ornamental e da capacidade de emitir 20 diferentes sons melodiosos, a rosella adscitus é fácil de cuidar, tem manejo de custo baixo e preço de venda que garante a lucratividade de um pequeno criatório, possível de ser instalado em pouco espaço. A atividade, contudo, precisa de um ambiente organizado e adequado para o crescimento saudável da criação. Mesmo que o manejo seja praticado em uma área ociosa no lado externo de uma residência, é necessário que o local seja limpo, calmo e dotado de estrutura que assegure a existência de condições para o bem-estar das aves durante o seu desenvolvimento.

 

A gaiola, contendo acessórios como bebedouro e comedouro, é o principal equipamento para a acomodação do plantel. Todos os itens podem ser comprados em lojas de produtos agropecuários, onde também são encontradas rações, sementes e outros alimentos que atendem às necessidades nutricionais diárias da rosella adscitus. O rigor na limpeza de todos os materiais usados diariamente é outra exigência importante para garantir a saúde do pássaro, que pode viver por 20 anos.

Com cerca de 30 centímetros de comprimento e peso que varia de 95 a 120 gramas, a rosella adscitus domesticada é dócil a ponto de comer na mão do criador, quando treinada desde filhote. Aliás, se receber tratamento atencioso a partir dos primeiros dias de vida, tem mais facilidade para interagir como um animal de companhia. Uma dica é alimentar as crias direto no bico com papinhas próprias disponíveis no varejo especializado.

Como criar o “rosella de cabeça pálida”:

INÍCIO

Dois casais já são o bastante para dar uma noção da rotina da criação para quem tem pouca experiência no manejo de aves. Para os mais experientes com a atividade, contudo, recomenda-se, pelo menos, dez casais para começar. Assegure a saúde e as condições físicas adequadas dos exemplares adquirindo-os de criadores profissionais idôneos.

AMBIENTE

Não deve ser suscetível a rajadas de vento nem ao frio intenso, em especial durante a fase de filhotes. Portanto, é necessário que tenha proteção nas janelas, se o local de criação for em um cômodo ocioso; cercas-vivas ou quebra-ventos, no caso de viveiros montados em barracões abertos; e dois muros transversais (em “L”), quando a intenção é aproveitar um canto das paredes.

 

ESTRUTURA

Gaiolas de arame galvanizado, com, no mínimo, 120 x 60 x 60 centímetros de medidas para cada casal, podem ser compradas em lojas especializadas. Melhor se tiverem uma bandeja na parte debaixo, tanto para facilitar a limpeza quanto para evitar que as aves comam alimentos caídos e misturados aos dejetos. No varejo também são vendidos os ninhos, cujo tamanho indicado é de 23 x 23 x 50 centímetros. Preencha-os com um pouco de maravalha e, por perto, disponibilize fibra de coco, para a rosella completar a forração. Para a construção própria de um viveiro, com espaço para a rosella adscitus voar (1 x 1 metro ou 2 x 2 metros), o uso de materiais existentes na propriedade é uma alternativa para baratear o investimento inicial da atividade.

ACESSÓRIOS

Comedouros de porcelana são fáceis de limpar, mas há diversas opções de materiais, inclusive com custo mais baixo. O mesmo caso ocorre para os bebedouros, que devem estar sempre com água limpa e filtrada. Se não forem adequados os poleiros que já vêm na gaiola, faça novos. São o bastante dois com diferentes diâmetros, para que os dedos das aves não fiquem sujeitos a atrofiamento. Coloque-os na parte mais alta, a fim de evitar que a rosella adscitus arraste a cauda, e distantes do comedouro e do bebedouro. Também há banheiras específicas para as aves se banharem, prática que contribui para a boa fertilidade das fêmeas.

 

ALIMENTAÇÃO

Principal é a ração extrusada. Para complementar, ofereça farinhada, sobretudo no período de reprodução. A rosella adscitus também gosta de frutas, como goiaba, laranja e maçã, que devem ser fornecidas sem semente, e hortaliças, como abóbora, jiló, berinjela, couve, almeirão e chicória. Alface e agrião não são recomendados. Entre as sementes são aceitas pela espécie as de girassol e o alpiste. Como fonte de cálcio, uma mistura de grit mineral ou areia atende à necessidade da fêmea para realizar uma boa postura.

REPRODUÇÃO

Concentra-se entre agosto e fevereiro, com cerca de três posturas no período, iniciando a partir do primeiro ano de idade. A rosella adscitus bota, em média, cinco ovos por vez, sendo um dia sim, outro não. Boa mãe, só sai do ninho para se alimentar durante os 19 a 21 dias de choco. Faça o anilhamento aos sete dias de vida dos filhotes, que começam a ganhar plumagem pelo corpo na quarta ou quinta semana, levando até um ano para completar.

CRIAÇÃO MINÍMA

Para iniciantes, dois casais, enquanto para quem tem experiência, 10 duplas de machos e fêmeas.

CUSTO

Machos têm preço a partir de R$ 2 mil, enquanto as fêmeas, R$ 4 mil.

RETORNO

Após um ano

REPRODUÇÃO

Três posturas anuais.

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