Controle biológico do mosquito da dengue é feito com machos da própria espécie

Uma empresa britânica desenvolveu e está comercializando no Brasil um método de controle biológico que utiliza os machos da própria espécie para controlar a população do mosquito Aedes aegypti e evitar a transmissão de doenças como dengue e zika. Utilizando o que chamam de machos autolimitantes, que não picam nem transmitem doenças, a Oxitec afirma que é possível impedir o avanço das doenças sem químicos, apenas com a adição de água.

Aedes do Bem (Foto: Aedes do Bem/Reprodução)

 

Em nota, a empresa afirma que já obteve aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em 2020, após 3 anos de projeto-piloto no município de Indaiatuba, em São Paulo. A doutora em biologia molecular e diretora geral da Oxitec do Brasil, Natalia Ferreira, reitera que o Brasil sempre foi um dos principais focos da empresa. “Nossa equipe serviu várias comunidades em todo o Brasil na última década, e temos demonstrado consistentemente que a tecnologia do bem é altamente segura e eficaz, além de popular”, diz ela. 

 

O sistema já está sendo comercializado em São Paulo, mas a intenção é distribuí-lo nas demais regiões do país. A companhia afirma também que o produto é seguro para outras espécies e não interfere no ambiente de abelhas e borboletas, por exemplo. Assim que o ciclo de vida dos mosquitos liberados termina, eles desaparecem do ambiente.

Como a caixa funciona

O produto é composto por caixas reutilizáveis e refis que contém ovos de mosquitos machos inofensivos que devem ser trocados a cada 28 dias, durante toda a temporada de mosquitos. “Dentro da caixa, tem um pote com os ovos e uma ração para as larvas se alimentarem para o desenvolvimento até a fase adulta, além de cápsulas de conservantes de água para controlar a contaminação por microrganismos”, explica Natália.

O consumidor deve colocar a caixa em uma área externa e acrescentar água. Após alguns dias, mosquitos machos começarão a sair da caixa e circular pela região, acasalando com fêmeas invasoras do Aedes aegypti. Esses mosquitos, então, impedem que as descendentes fêmeas deste cruzamento sobrevivam, o que significa que as gerações subsequentes terão cada vez menos fêmeas – que picam e transmitem doenças -, consequentemente controlando a população de mosquitos. 

“Quando nós liberamos no ambiente um Aedes do Bem, que sempre vai ser macho, ele vai procurar uma fêmea e acasalar. De todos os ovinhos que essa fêmea colocar – 50% macho e 50% fêmea-, nenhuma fêmea chega a fase adulta e os machos conseguem continuar o trabalho dos pais porque eles herdam a característica autolimitante”, acrescenta a especialista.

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Grey Frandsen, CEO da Oxitec, destaca a não utilização de químicos nos componentes do produto. “Acreditamos que a luta será vencida não mais com pesticidas químicos, mas ao tornar uma nova geração de produtos seguros e ecológicos acessíveis a todos, quando e onde forem necessários”.

Casos de dengue no Brasil em 2021

De acordo com o Ministério da Saúde, entre janeiro e setembro de 2021 mais de 645 mil casos de dengue foram registrados no Brasil, uma das principais enfermidades transmitidas pelo mosquito. Ainda sim, o Ministério sugere que podem haver casos subnotificados, em razão da força tarefa no enfrentamento da Covid-19.