Greve em portos da Argentina atrasa embarques do agro avaliados em US$ 1,45 bilhão

Terminal de grãos em porto no rio Paraná, perto de Rosario, Argentina (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

 

Sindicatos argentinos e empresas agroexportadoras disseram que buscarão chegar a um acordo nesta terça-feira (29/12), em uma reunião, para tentar encerrar uma longa greve por reivindicações salariais que causa atrasos significativos nos embarques agrícolas do país.

A reunião será realizada no Ministério do Trabalho argentino, que busca destravar o impasse para que o fluxo das exportações agrícolas se normalize. O protesto causou atrasos no carregamento de 162 navios, segundo a Bolsa de Comércio de Rosario (BCR).

 

“Estima-se, segundo programações de embarques, que estes navios devem carregar 3,4 milhões de toneladas de diferentes produtos agrícolas e agroindustriais, a um valor aproximado de 1,458 bilhão de dólar”, disse Desiré Sigaudo, analista da BCR.

As atividades portuárias e de processamento de grãos da Argentina foram afetadas desde 9 de dezembro, quando dois sindicatos de trabalhadores da indústria processadora e o sindicato de trabalhadores técnicos portuários Urgara lançaram uma greve simultânea por reivindicações salariais.

 

“Temos feito um enorme esforço para chegar a um acordo. Esperamos que o Ministério do Trabalho cumpra a sua função de pautar e fixar as condições salariais de acordo com a realidade da indústria e do país, garantindo a paz social ao longo de 2021”, disse Gustavo Idígoras, chefe do CIARA-CEC, que no domingo anunciou que havia melhorado sua oferta aos trabalhadores.

Por sua vez, um porta-voz da federação dos trabalhadores da indústria de óleos vegetais – que está em greve junto com o sindicato SOEA – afirmou esperar que as empresas façam na reunião uma proposta que atenda às suas reivindicações salariais e de bônus.

 

No entanto, o porta-voz da federação afirmou que o sindicato ainda não teve acesso à nova oferta do CIARA-CEC. “Saberemos ali mesmo na audiência e, com base nisso, veremos se é possível chegar a um acordo. A vontade de negociar está presente desde o primeiro momento”, declarou.

Questionado sobre o encontro pela Reuters, o Ministério do Trabalho argentino disse que não comentaria.