Mesmo exportando mais, Brasil deve ter mais de 50 kg de frango e 15 kg de carne suína por habitante em 2021

O Brasil deve terminar 2021 com exportação recorde de carnes de aves e suínos, mas isso não deve comprometer o abastecimento do mercado interno. A avaliação está em relatório  mercado divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura (Mapa).

A autarquia estima embarques de 4,46 milhões de toneladas de carne de frango. Mas a disponibilidade interna deve aumentar 3% neste ano, para 10,9 milhões de toneladas, acompanhando uma tendência de alta de produção, que pode chegar a 15,3 milhões de toneladas de carne de aves, 4,5% a mais que em 2020.

“Como consequência, a quantidade de carne de frango disponível para os brasileiros no ano também é a maior registrada na série histórica, passando de 50 quilos por habitante”, diz a Conab, no comunicado.

aves-frango-corte-granja (Foto: Leo Drumond/Ed. Globo)

 

Os preços recebidos pelos avicultores seguem tendência de alta, avaliam os técnicos. Parte desse movimento é explicada pela maior demanda pela carne de frango.  A outra parte é justificada pelo aumento dos custos, especialmente com o milho e o farelo de soja, insumos essenciais para a alimentação dos planteis nas granjas.

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Só para se ter uma ideia, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), citados pela Conab, a despesa com a alimentação dos planteis praticamente dobrou de julho de 2018 a julho de 2021. A participação desse item no custo total do setor passou de 68% para 76% nesse período.

No atacado, os preços da carne de frango estão mais baixos, informou, nesta semana o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo os pesquisadores, é uma tentativa de elevar a liquidez do mercado, para estimular vendas e evitar acúmulo de estoques.

Carne suína

Na carne suína, o cenário é semelhante, informa a Companhia Nacional de Abastecimento. Com um plantel em torno de 42 milhões de cabeças, o Brasil deve produzir 4,45 milhões de toneladas de carne de porco e vender para o mercado externo 1,24 milhão.

“O maior volume de carne produzida reflete na elevação da disponibilidade deste tipo de carne do mercado, o que garante a oferta interna e mantém a quantidade de produto por habitante estável, próximo da marca de 15 quilos por pessoa”, diz a autarquia.

Os técnicos explicam que os suinocultores também sofrem com a alta do milho. Mesmo com a entrada da segunda safra no mercado, os preços do cereal vêm pesando na planilha de custos. E a pressão é baixista para os preços da carne suína.

 

“Apesar da entrada da segunda safra de cereal, os valores de comercialização deste insumo continuam pesando no custo de produção. No sentido contrário, o mercado continua com pressão baixista dos preços para este tipo de carne, dando relativa estabilidade das cotações, sem espaços para avanços consideráveis”, diz a Conab.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no início deste mês, o preço do suíno vivo caiu mais que o do milho e do farelo de soja no mercado independente (sem contrato de integração com a indústria). A situação interrompeu o movimento de recuperação do poder de compra do suinocultor.