Nutrien anuncia acordo de aquisição da Terra Nova e prevê faturamento de R$ 2 bi em 2021

Com uma história recente no mercado brasileiro, a multinacional canadense Nutrien já se encaminha para a quinta aquisição e prevê quadruplicar o faturamento desde que chegou ao país, em 2019. Desta vez, o alvo é a Terra Nova, varejista de insumos agrícolas que atua em Minas Gerais por meio de nove lojas. O acordo para a compra da empresa foi anunciado nesta quinta-feira (8/7).

Tanto o ramo de atuação, quanto a localização fazem parte da estratégia de mercado da Nutrien, segundo André Dias, presidente da companhia. As 24 unidades da Nutrien no Brasil estão concentradas em Minas Gerais, São Paulo e Goiás e mais dez devem ser abertas nos mesmos estados até o final do ano. 

“Além disso, a Terra Nova opera com multi culturas, como soja, milho, café, entre outras. É uma região muito conhecida, com excelente malha logística para escoar os produtos, muito atrativa economicamente”, observa Dias, ao contar que as outras aquisições foram TecAgro, Agrichem, Agrosema e os registros de defensivos genéricos da BRA Agroquímica.

 

André Dias, presidente da Nutrien para a América Latina (Foto: Divulgação/Nutrien)

 

A receita total da Terra Nova é de aproximadamente R$ 250 milhões. De olho neste potencial, Dias revela que a previsão é que a Nutrien fature R$ 2 bilhões em 2021. “Começamos com faturamento de R$ 500 milhões em 2019 e, sem a nova aquisição, estamos na estimativa de chegar a quatro vezes maior do que dois anos atrás”, diz.

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Sem revelar o investimento para aquisição, Dias se mostra confiante que a operação seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), apesar de não arriscar um prazo para o processo ser concluído.

Para o produtor que já é cliente da Terra Nova, nada muda. Pelo menos no curto prazo. No entanto, Dias afirma que haverá ampliação de portfólio de produtos, e novas funcionalidades, como financiamento e consultoria para planejamento da safra.

Digitalização

De origem canadense, com forte presença também nos Estados Unidos e Austrália, a multinacional é conhecida por sua atuação no mercado de fertilizantes. No entanto, aqui no Brasil, o objetivo é se tornar a maior “distribuidora de experiências” para o produtor. Isso significa, nas palavras do presidente, “não apenas vender fertilizantes, defensivos e sementes, mas ser uma curadoria”.

 

Para isso, ele aposta no formato de digitalização, com o potencial de formar uma rede entre produtores, consultores, e até pesquisadores. Relacionamento é palavra-chave para Dias, que diz que digitalizar, neste caso, não significa trabalhar com softwares, mas proporcionar  um planejamento de safra com soluções integradas. Para isso, a relação entre consultor e produtor deve ser de confiança. Ainda assim, ele admite que existe um público-alvo determinado.

“São produtores de cem a três mil hectares, que estejam dispostos a receber uma curadoria de produtos. Alguém que queira construir este planejamento com fertilizante, defensivos, sementes. Um plano de negócios para o ano”, resume.

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Sustentabilidade

 

Queremos oferecer um programa de crédito de carbono e ajudar o produtor a estar tecnicamente  em conformidade com o compliance
André Dias, presidente da Nutrien para América Latina

O Canadá é um país que tem se mostrado engajado com a agenda ambiental e as metas de descarbonização. Isso reflete na estratégia aqui no Brasil, pontua André Dias.

Segundo ele, o consultor das distribuidoras é quem olha a lavoura de forma holística e está mais perto do produtor. Por isso, tem o papel importante de levar a sustentabilidade para a lavoura. “Queremos oferecer um programa de crédito de carbono e ajudar o produtor a estar tecnicamente  em conformidade com o compliance”, revela.

 

O presidente da Nutrien também conta que, a médio prazo, um programa de crédito de carbono deve chegar ao Brasil, para compensar quem produz com respeito às normas ambientais. Por enquanto, o programa é um piloto nos Estados Unidos. “No Brasil, acredito que chegue daqui a dois ou três anos.”

Dias, que já foi conselheiro da The Nature Conservancy (TNC), ainda cogita a parceria com este tipo de iniciativa para levar conhecimento de como produzir de forma sustentável. “Por que não usar o conhecimento técnico de uma ONG, combinado com a nossa presença geográfica distribuída no Brasil, e levar esse conhecimento aos agricultores?”, questiona.