Peste suína leva à criação de porcos gigantes na China

suínos (Foto: Editora Globo)

 

A epidemia da peste suína africana na Ásia tem transformado o sistema de produção, especialmente na China, maior produtor e consumidor da carne no mundo. Para reduzir as perdas provocadas pela doença, criadores de porcos na China estão investindo em animais maiores, com pesos que chegam a 500 kg, seja em pequenas ou grandes fazendas produtivas.

A escassez levou à alta nos preços do produto. O valor do suíno vivo subiu cerca de 40% em um ano, enquanto a produção de carne suína caiu aproximadamente 30%, de acordo com a agência Bloomberg. No atacado, a carne suína na China aumentou mais de 70% este ano, enquanto os estoques de suínos caíram 39% em agosto em relação ao ano anterior.

 

Para lidar com o problema, o governo chinês pediu aos criadores que aumentassem a produção. No entanto, eles enfrentam também desafios, como o custo dos animais e o medo de ver seu rebanho ser dizimado pela epidemia. Aumentar o peso é visto como uma solução para limitar os riscos e aumentar os lucros. O peso médio de suínos para abate em grandes fazendas aumentou de 110 kg para 140 kg, segundo a Bloomberg.

Alguns dos suínos podem ser vendidos por mais de 10.000 yuanes (US$ 1.399), três vezes mais que a renda média mensal disponível em Nanning, capital da província de Guangxi. Os altos preços da carne suína na província de Jilin, no nordeste do país, estão levando os agricultores a criar animais de peso médio de 175 a 200 kg. o normal é 125 kg.

Grandes produtores de proteína da China, incluindo o Wens Foodstuffs Group, o principal criador de porcos do país, a Cofco Meat Holdings Ltd. e o Beijing Dabeinong Technology Group Co., dizem que estão tentando aumentar o peso médio de seus porcos. As grandes fazendas estão focadas em um ganho de pelo menos 14%.

Os estragos causados na Ásia pela doença hemorrágica altamente contagiosa não animam os especialistas: segundo eles, serão necessários de dois a dez anos para conter a epidemia. Porcos, javalis, javalis da Europa e da América são suscetíveis à infecção, independentemente da idade, mas a doença é inofensiva para os seres humanos.

Segundo o Ministério da Agricultura e Alimentação da China, a peste suína está “presente há quase cinco anos em vários países da Europa Oriental e gradualmente se aproximando de nossas fronteiras”. Vários casos também foram detectados na Bélgica, levando o governo francês a estabelecer uma zona branca – javali vazio – na fronteira.

Vídeo: consultor fala sobre efeitos da peste suína africana