Propostas para fim das paralisações no setor de oleaginosas na Argentina desagradam

Navios carregados com grãos na região de Rosario, Argentina (Foto: Agustin Marcarian/Reuters)

 

A greve na Argentina completa duas semanas nesta quarta-feira (23/12), após trabalhadores do setor de oleaginosas e fiscais de grãos cruzarem os braços a fim de reajustes salariais para compensá-los pela alta inflação e pelo risco de trabalhar durante a pandemia de Covid-19.

Na terça-feira (23/12), a Câmara da Indústria de Azeites da República Argentina e o Centro Exportador de Cereais (CIARA-CEC) apresentaram uma nova proposta conjunta aos sindicatos para acabar com a paralisação. Em sua página no Twitter, as entidades disseram que “confiam que a extensa greve que paralisa agroindústrias e terminais portuários possa ser resolvida”.

 

Entre as propostas publicadas pela rede social, está o reajuste fracionado de 25% até julho de 2021, sendo 13% em janeiro,  6% em abril e 6% em julho. “Os acréscimos não são remuneratórios com impacto em adicionais e horas extras. O aumento anterior após cada aumento é adicionado ao básico”, citou a CIARA no Twitter. Segundo a Câmara, mais de 100 navios não puderam ser carregados durante a greve.

De acordo com a agência Reuters, Daniel Succi, representante do Sindicato de Trabalhadores e Empregados do Setor de Oleaginosas (SOEA), disse que os trabalhadores receberam com ceticismo, na manhã desta quarta-feira, a nova proposta das companhias exportadoras, classificando-a de insuficiente.

“Certamente teremos uma resposta a essa oferta, que não é suficiente”, disse Succi, acrescentando que o reajuste salarial ficou aquém das expectativas.

 

Desde a semana passada, nenhum caminhão carregado com soja entrou nos terminais do principal centro de grãos do país, em Rosario, de onde partem cerca de 80% das exportações agrícolas argentinas. 

Os Centros de Corredores de Cereais assinaram uma carta alegando “profunda preocupação” com a greve, pois a curto prazo poderá ocorrer reflexos na “cadeia de pagamentos do setor agroindustrial, já que ao não poder entregar sua mercadoria, o produtor se vê impossibilitado de cumprir com seus compromissos”.

Ainda segundo a Reuters, na noite de terça-feira, sindicatos ligados aos setores marítimo e portuário da Argentina anunciaram também que começariam uma greve de 36 horas, a partir da manhã desta quarta, em apoio a seus companheiros trabalhadores.