Retrospectiva 2020: Veja o que foi destaque na pecuária

Boi, nelore, gado (Foto: Divulgação)

 

 

Em um cenário de mudanças diante do avanço da pandemia de Covid-19, a pecuária brasileira passou por um ano de transição, digitalização e muitas oportunidades.

Por outro lado, preços recordes, aumentos no custo de produção, interdição de frigoríficos e suspensão de exportações para a China foram desafios para o setor neste 2020 atípico.

Preços recordes

O ano de 2020 começou com perspectivas positivas após a arroba bovina ter batido recorde no final de 2019, puxado pela maior demanda da China após o avanço da Peste Suína Africana no país.

Paralelamente, contudo, os custos de produção também aumentaram, enquanto o mercado interno perdeu poder de compra, reduzindo as margens do produtor e da indústria ao longo do ano.

 

Quebra de acordo

No mercado de lácteos, as idas e vindas da demanda – com desajustes nos estoques da indústria – expôs as tensões entre produtores e laticínios.

Diante de preços recordes, mas margens apertadas, o setor ainda enfrentou aumento das importações argentinas, mesmo com o dólar também em patamares historicamente altos.

 

Abertura de mercados

Em 2020, o Brasil também obteve a abertura de importantes mercados, com destaque para os EUA. O país havia interrompido as compras de carne bovina do Brasil em 2017 por problemas com abcessos provocados pela vacina contra a febre aftosa.

 

Efeito China

Principal destino das exportações brasileiras de carne, a China foi decisiva para manter as vendas do setor aquecidas. Em 2020, as exportações acumuladas ao país passaram de 800 mil toneladas, um crescimento de quase 90% ante o ano anterior.

 

Pandemia de Covid-19

Os problemas enfrentados com a Covid-19 no Brasil, contudo, atrapalharam as vendas do país. Foram dez frigoríficos com as exportações suspensas para a China ao longo deste ano.

No Brasil, o avanço da doença entre trabalhadores levou o Ministério Público do Trabalho a pedir o fechamento de diversas plantas no país.

 

Protocolo polêmico

Atendendo a um pedido da própria indústria para fazer frente à crise provocada pela Covid-19 nos frigoríficos, o governo brasileiro publicou uma portaria interministerial com medidas mínimas de segurança a serem adotadas por empresas do setor.

Os protocolos, contudo, foram duramente criticados por outras organizações, como sindicatos e Ministério Público do Trabalho.

 

Auxílio emergencial

O pagamento, a partir de abril, do auxílio emergencial pelo governo para fazer frente aos impactos econômicos da pandemia ajudou a impulsionar o mercado de proteína animal.

O aumento do consumo contribuiu para puxar os preços não só das carnes, mas também o consumo de lácteos e ovos no país.

 

Mais peixe e frango na mesa

Pago antes da Páscoa, o auxílio emergencial deu fôlego ao setor de pescados. Ao longo do ano, o setor continuou registrando aumento da demanda, com os consumidores optando por opções mais baratas à carne bovina, incluindo o frango.

 

Fechamento de canais de distribuição

Se o consumo em casa aumentou, nos bares e restaurantes a demanda caiu drasticamente com as medidas de isolamento social.

No caso do leite, as mudanças nos canais de consumo, com corrida aos supermercados num primeiro momento, impactaram os estoques da indústria, gerando forte oscilações de preços ao produtor.

 

Digitalização

Outro efeito da pandemia foi ao avanço da digitalização do setor, que precisou reinventar a forma de fazer leilões e até mesmo inspeções sanitárias.

 

Crise ambiental

Mais uma vez, a pecuária foi o centro do debate ambiental em 2020. Com o avanço dos incêndios no Pantanal, o rebanho da região foi promovido a “bombeiro” pelo governo enquanto as investigações apontavam o envolvimento de pecuaristas em crimes ambientais que teriam dado início ao fogo.