Revendas de insumos agrícolas descartam conduta anticompetitiva e dizem encorajar ações contra aumentos injustificados de preços

A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) afirmou em nota enviada à Globo Rural, nesta sexta-feira (10/12) que “encoraja e defende as ações dos órgãos competentes para coibir um eventual aumento injustificado dos insumos agrícolas”. A entidade, que reúne mais de 2.000 empresas de todo Brasil, diz ainda que descarta completamente condutas anticompetitivas.

agricultura_fertilizantes (Foto: Thinkstock)

 

A manifestação da Andav, assinada pelo presidente executivo, Tiburcio Gonçalves, e pelo presidente do Conselho Diretor, Alberto Yoshida, refere-se à ação adotada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que enviou ofício à Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça, em 23 de novembro, pedindo averiguação de possíveis aumentos abusivos e arbitrários nos preços de insumos agrícolas.

Segundo afirmação do diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, durante coletiva de balanço da entidade, na quarta-feira (8/12), os aumentos chegam a 170% em alguns produtos e há revendas que estão segurando o insumo que já tinha sido vendido e repassando ao produtor com preços exorbitantes.

A Andav diz que começou a monitorar a situação de alta dos insumos em meados de agosto deste ano, especialmente na região Centro-Oeste, acionando entidades de representação das indústrias fabricantes para tentar encontrar uma solução.

 

 

“O cenário apresentado por lideranças da agroindústria transmite que a dinâmica de produção e importação de ativos essenciais se agravou devido à uma cascata de eventos, que envolvem a paralisação de atividades de fábricas na China e nos Estados Unidos, a crise diplomática na Bielorrússia, a logística internacional, os aumentos nos custos de energia e as cotações do dólar”, diz o comunicado.

A entidade reforça que apoia e fortalece todas as iniciativas que movimentam o setor em busca de ações para mitigar os efeitos desta conjuntura na produção e diz que toda a cadeia produtiva vem sendo penalizada com o aumento em escala global dos preços de insumos agropecuários. “Em muitos casos, o próprio distribuidor é o principal financiador do produtor rural, sendo também diretamente afetado por eventuais intercorrências na produção.” 

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No ofício, a CNA admite que a crise é mundial, mas argumenta que o setor produtivo não está conseguindo diferenciar, na atual conjuntura, o que, de fato, é decorrente de problemas com a cadeia de abastecimento e o que seria especulação e abuso. A Confederação diz ainda que a livre concorrência não autoriza o fornecedor a fixar preços aleatórios, descolado do custo e sem critérios, em especial quando se trata de insumos vitais à produção de alimentos. “As safras 2021/22 e 2022/23 são candidatas a serem as mais caras do século devido ao custo de produção dos insumos.”

A CNA pede que a secretária Juliana Oliveira Domingues, responsável pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom), use os instrumentos de controle do Estado, como a comparação entre o volume de importações deste ano com os anos anteriores e a aferição dos preços de compra e venda, para verificar se há ou não aumentos abusivos e para identificar quem deve ser responsabilizado.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Ministério da Justiça, mas não recebeu resposta até a conclusão desta reportagem