Rio Grande do Sul projeta safra de milho 28% menor em 2021

milho-milharal-grao-safrinha (Foto: Marcelo Min / Ed.Globo)

 

 


A safra de milho do Rio Grande do Sul em 2020/2021 deve ser ainda menor do que a deste ano, que já foi impactada fortemente pela seca, com uma quebra de 26%.

A previsão é produzir 3,027 milhões de toneladas de toneladas, 28,1% a menos do que a última safra e um pouco acima da metade do volume de 2019. As estimativas foram divulgadas nesta quarta-feira (9/12) em coletiva da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

“Apesar de elevar em 3,5% a área plantada, não teremos recorde de produção na próxima safra porque fomos afetados novamente pela estiagem e não conseguimos irrigar”, disse o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, criticando a burocracia imposta aos produtores interessados em contratar projetos de irrigação.

 

Segundo ele, o Estado vai enfrentar problemas de escassez e aumento de preços no próximo ano porque terá de trazer milho de outras regiões, elevando o custo logístico.

Já a produção de soja, que teve uma retração de 39% na última safra, com 11,28 milhões de toneladas, deve crescer 75,8%, passando para 19,85 milhões de toneladas, o que representa variação positiva ante a safra de 2019, quando não houve seca (18,45 milhões de toneladas).

 

No total dos grãos, a estimativa é de um crescimento de 28,4%, com aumentos acima de 10% em centeio (25,4%), sorgo (22,1%), feijão (16,7%), amendoim (14,2%), trigo (15,3%) e cevada (10,7%). Além do milho, os gaúchos devem produzir menos arroz (queda de 3,4%, causada pela produtividade menor) e girassol (2,7%).

Para o PIB da agropecuária do RS, o economista prevê alta de 40% em 2021, recuperando a perda de 28% deste ano. O Valor Bruto da Produção (VBP) deve subir 18%, com um total de R$ 67,3 bilhões nos grãos (alta de 73% em relação a 2020) e R$ 7,33 bilhões na pecuária (61% a mais).

“Essa recuperação, no entanto, só vai ocorrer se chover e se os preços dos produtos ficarem nos patamares atuais”, completou o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

 

 

Sem alinhamento automático


Analisando os dois anos de governo de Jair Bolsonaro, Gedeão afirmou que a gestão trouxe mais segurança jurídica para o setor, mas existe uma grande preocupação com a falta de avanços das privatizações e de pragmatismo.

Ajudamos muito a eleger Bolsonaro, mas alinhamentos automáticos não servem ao agro. Temos que chegar em todos os mercados do mundo que queiram comprar nossos produtos, sem qualquer ideologia. Nosso maior cliente é a China e nenhuma ideologia pode atrapalhar esse comércio de duas mãos
Gedeão Pereira, presidente da Farsul

 

A fala do dirigente se refere às seguidas provocações aos chineses feitas por integrantes do governo e pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. Na mais recente, inclusive, a China sinalizou possíveis efeitos na relação comercial entre os países.