Rodeio em touros: o que você precisa saber para ver as disputas

A batalha é curta, mas é dura. Na arena, diante do público nas arquibancadas, o peão compete contra um animal que pode superar algo como dez vezes o seu peso. E o touro não quer outra coisa a não ser derrubá-lo de seu lombo. Assim é a montaria em touros, competição de destaque em eventos de rodeio no Brasil e no mundo, um esporte que, pelo menos em sua liga mais conhecida, a Professional Bulls Riders (PBR), é dominado por brasileiros.

esportes-pbr-montaria-pacheco (Foto: Bull Stock Media/PBR Brazil)

 

E como toda competição esportiva, ter seu regulamento para garantir uma disputa justa entre os competidores. E, no caso da montaria em touros, as regras envolvem não apenas a disputa em si, mas também o cuidado com as feras que enfrentam os cowboys nas arenas. Conheça algumas da regras básicas do rodeio em touros, com base nos regulamentos da Professional Bull Riders, que serve de referência para outros eventos realizados no Brasil.

Tempo

Para receber uma nota, o peão precisa permanecer 8 segundos sobre o touro. Com uma das mãos, ele deve segurar a chamada corda americana, que pode ser de náilon ou fibra vegetal e que é amarrada ao touro. O braço que não segura a corda é chamado de braço de equilíbrio. Enquanto durar a montaria, o peão não pode tocar com esse braço ou a mão nem no touro, nem em qualquer outro acessório. O cronômetro é disparado pelo juiz quando qualquer parte do touro sair do brete a partir da abertura da porteira. Se ficar menos de oito segundos, a montaria é zerada.

Juízes e notas

O número de juízes pode variar de dois a quatro em cada evento. A nota da montaria varia de zero a cem pontos, calculada considerando 50% para o peão e 50% para o animal. Em competições da PBR, o brasileiro José Vitor Leme, bicampeão mundial de montaria em touros, obteve neste ano a maior nota da história em uma prova oficial: 98,75, na última montaria das finais em Las Vegas (EUA), em novembro.

A disputa e a premiação

Cada etapa do campeonato de rodeio em touros é disputada em mais de um dia de montarias. É uma rodada classificatória por dia, com exceção do último, em que é disputada a última preliminar e os melhores vão à decisão. Vence a competição quem conseguir a maior somatória de notas.

 

Em algumas rodadas, os duelos entre peão e touros são sorteados. Mas há também rodadas em que são permitidas escolhas. Um peão não pode montar o mesmo touro em uma competição. Se os juízes entenderem que o touro não teve um desempenho aceitável ou que o peão foi prejudicado por falha do equipamento, é oferecida ao competido a opção anular a montaria e realizar uma nova tentativa válida.

A premiação para o vencedor varia de acordo com a competição. A Festa do Peão de Barretos em 2019, por exemplo, premiou o campeão com uma caminhonete de R$ 265 mil. O campeão mundial da PBR deste ano recebeu US$ 1 milhão, a serem pagos em dez parcelas mensais.

Traje do peão

O peão, geralmente, monta com calça couro com botões, camisa de manga longa com punhos abotoados e botas com esporas sem pontas, com o objetivo de não ferir o touro, além de luva de couro na mão com a qual segura a corda. . Entre os equipameentos de proteção, estão colete e capacete. Pelas regras da PBR, todos os competidores nascidos a partir de outubro de 1994 são obrigados a montar utilizando capacete. Os nascidos antes desse período podem optar pelo capacete ou chapeu.

O touro, os cuidados e a criação

O touro tem peso que varia entre 600 quilos e uma tonelada, pondendo pesar dez vezes mais que o peão. Além da corda americana, com a qual o peão apoia a montaria, o animal recebe uma cinta de lã, chamada de sedém na virinha e uma corda com nó de ajuste.

O uso do sedém é um dos principais pontos de crítica de movimentos de defesa dos direitos dos animais e que são contrários à realização dos rodeios. De acordo com esses grupos, esse instrumento seria usado para infligir dor ao animal e forçá-lo a pular.

 

Um laudo da Faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), no entando, foi favorável aos organizadores de rodeios, concluindo que não há relação do sedém com os testículos dos animais e que a região de contato não apresenta lesões.

Nos Estados Unidos, de acordo com a Professional Bull Riders, a maioria dos animais são fruto de melhoramento genético para ter melhor desempenho. No Brasil, os touros são, geralmente, escolhidos entre aqueles animais do rebanho com mais aptidão, mas também já há programas de melhoramento genético.

Salva-vidas

Todo rodeio precisa ter pelo menos 3 salva-vidas, profissionais trajados como os peões que ficam a pé na arena para proteger o peão quando ele salta ou cai do touro. Nessa função, o Brasil também é destaque, com Lucas Belli Teodoro, o Gauchinho, único salva-vidas brasileiro a atuar em finais mundiais da Professional Bull Riders.