Scot alerta sobre riscos para os negócios do agro por Brasil “hostilizar” China

portos do paraná (Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná)

 

Ao citar que China e Hong Kong, juntos, compram 64% da carne bovina brasileira exportada, o sócio-fundador da Scot Consultoria, Alcides Torres, observou que, diante da importância desse mercado, é “perigoso” hostilizar os maiores compradores de produtos do Brasil.

Torres lembrou, ainda, que na atual pandemia de novo coronavírus, todos os clientes do Brasil reduziram suas compras, com exceção da China e Hong Kong, além de outros países da Ásia, como Tailândia. “Se ficarmos hostilizando a China, ela parte para comprar carne de nossos concorrentes, vai comprar dos australianos, dos argentinos, dos uruguaios”, afirmou.

 

O consultor ainda acrescentou que “tem gente que não faz conta ou desconhece o mercado profundamente”. A fala veio em um contexto de uma polêmica entre a China e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na semana passada.

Na terça-feira (24/11), o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, criticou postagens em rede social de Eduardo Bolsonaro, que também é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O deputado havia citado, no dia anterior (23/11), que o governo brasileiro declarou apoio a uma “aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”.

 

A postagem foi apagada depois. Wanming rebateu dizendo que as acusações do parlamentar são “infundadas” e “solapam” a relação entre os dois países. O ex-CEO do frigorífico Frigol, Luciano Pascon, lembrou que há 29 frigoríficos de bovinos “parados, numa lista, aguardando a aprovação do governo chinês”.

“E a gente sabe que se a amizade e cooperação fosse maior isso já poderia ter sido habilitado; seria uma oportunidade para todos”, pontuou. Para o presidente consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, “é absurdo” o país desdenhar a China. “Hostilizar a China é perigoso”, disse.

 

Já o consultor da Scot Hyberville Netto acrescentou que a Europa, por exemplo, adquire apenas 8% da carne exportada pelo Brasil. “É um mercado que, mesmo menor, tem de estar aberto, não podemos brigar com clientes”, alertou.