Só 6% dos produtores de arroz do RS conseguiram aproveitar disparada nos preços

agricultura_arroz (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

 

 

Embora tenham contribuído para recuperação de margens dos produtores após cinco anos consecutivos de prejuízo, os preços recordes do arroz observados desde o início do segundo semestre foram aproveitados por uma minoria dos rizicultores do Rio Grande do Sul, que concentra a maioria da produção nacional do grão.

Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 75% do arroz comercializado em 2019/2020 teve preço médio de R$ 52, praticamente metade dos valores atuais, de mais de R$ 100 pela saca de 50 kg.

 

“O preço da saca de arroz está em torno de R$ 108 a saca, só que os produtores não conseguiram esse valor porque grande parte vendeu antecipado ou na colheita, onde o preço era de R$ 50”, explica Bruno Lucchi, superintendente técnico da CNA, ao traçar o balanço da última safra e as perspectivas para 2020/2021.

Ele estima que apenas 6% dos produtores ainda possuam arroz para comercializar com os preços atuais e destaca que as oscilações do mercado nesta última temporada garantiram apenas a reversão de prejuízos acumulados nos últimos anos.

 

Segundo dados do Cepea apresentados pela entidade, o lucro médio de uma propriedade típica de arroz irrigado em Uruguaiana (RS) foi de R$ 1.533 por hectare de arroz irrigado, ante prejuízo de R$ 2.503 em 2018/2019.

Para a próxima safra, contudo, o superintendente técnico da CNA destaca que a alta dos custos de produção deve voltar a pressionar o agricultor, sobretudo aquele quem tem menos acesso a ferramentas de antecipação de vendas, como contratos a termo com a indústria ou de barter.

“Lógico que tivemos um incremento de renda muito grande, mas o incremento de custo para as cadeias que não têm gestão de risco tão efetiva também foi muito maior”, pontua Lucchi.

 

Soja em cenário semelhante

O superintendente técnico da CNA também destaca que o mesmo cenário se repetiu para a soja. “Só 1% dos produtores de Sorriso estão conseguindo comercializar com esse preço e em outros municípios isso não passa de 10%. Então, não é o produtor que está embolsando muito neste momento, porque ele não tem soja para vender, já vendeu o que tinha”, afirma.

Da safra 2019/2020, a CNA aponta que 70% da soja foi comercializada a preço médio de R$ 65 a saca, sendo que 40% das vendas ocorreram ainda em 2019, em operações de troca por insumos. Já para 2020/2021, com mais 64% da produção esperada no Mato Grosso já comercializada, as perspectivas são melhores.

“Realmente, para próxima safra há 50% já vendido e alguns fazendo negócios para a safra posterior. É um mercado específico, onde se consegue amarrar receita e custo. É um cenário positivo para esses produtores. Porém, para os de cadeias que não têm essa gestão de risco, não há essa sinalização futura”, destaca Lucchi.