Startup aposta em tecnologia usada em Marte para medir estoque de carbono no solo

solo-carbono-laser-aglibs (Foto: Divulgação/AGLIBS)

 

A mesma ferramenta utilizada para investigar o solo de Marte é usada aqui no Brasil para mensurar o sequestro de carbono. A tecnologia LIBS (Laser Induced Breakdown Spectroscopy), que consiste em avaliar amostras de elementos químicos a partir do uso do laser, foi aprimorada pela startup Agrorobótica para ser utilizada na agricultura.

De acordo com a empresa, a leitura dos espectros de luz é feita por um computador, que os registra e processa. Cada tipo de solo tem características específicas, como se fosse uma impressão digital.

 

Em seguida, um software de inteligência artificial desenvolvido pela Agrorobótica, chamado AGLIBS, faz a leitura e associa a informação com características físicas e químicas dos solos.

“Com a utilização da tecnologia AGLIBS, conseguimos, em um primeiro momento, medir de forma precisa e em larga escala o carbono estocado no solo para, depois, negociar junto com o agricultor os créditos de carbono no mercado”, explica Fábio Angelis, sócio fundador e CEO da empresa.

Como funciona

 

solo-carbono-laser-aglibs (Foto: Divulgação/AGLIBS)

 

O processo é formado por três etapas. O primeiro é a coleta georreferenciada de amostras no campo, seguido do encaminhamento ao laboratório da startup em São Carlos (SP) para uso do software, que quantifica e qualifica o carbono e nutrientes no solo e folhas.

A partir disso, o próximo passo é a obtenção do resultado, uma vez que os teores de carbono no solo viram um mapa que permite a certificação de carbono ou recomendações de manejo.

 

Segundo Angelis, a empresa produz um laudo completo da amostra do solo em menos de um dia, enquanto outras técnicas chegam a durar 15 dias ou mais. Desta forma, há capacidade de analisar mais de 500 amostras de solo diariamente. A agilidade é resultado de um trabalho híbrido entre a força humana e a digitalização de processos.

Tudo é feito em parceria com a Embrapa Instrumentação, já que as duas partes assinaram um convênio de inovação aberta em 2015 – o desenvolvimento e a transferência dessa tecnologia ao mercado são feitos em conjunto e a Embrapa recebe royalties pelas descobertas.

 

De lá para cá, alguns aportes aceleraram o desempenho da startup. Sem revelar o custo ao produtor e o volume de carbono já estocado proveniente do trabalho da empresa, Angelis conta que a Agrorobótica está presente em 14 Estados e, atualmente, mais de 400 agricultores utilizam a tecnologia.

O solo é a terceira maior reserva de carbono na biosfera. A participação do setor agrícola brasileiro neste mercado em ascensão oferece a possibilidade de uma monetização e uma renda extra ao agricultor
Fábio Angelis, sócio fundador e CEO da Agrorobótica