Uso de gramíneas evita desmatamento de 23 milhões de hectares na Amazônia

gramínea-embrapa-forrageira-pasto (Foto: Carlos Maurício de Andrade)

 

O uso de gramíneas adaptadas à Amazônia tem aumentado a produtividade da pecuária na região e evitado a abertura de novas áreas para a formação de pastagens. A Embrapa estima que a medida já poupou 23 milhões de hectares de floresta amazônica de serem desmatados.

Adequadas a solos com baixa capacidade de drenagem, as gramíneas desenvolvidas pela Embrapa também têm auxiliado os produtores em áreas de encharcamento. 

 

Segundo a estatal, as tecnologias mais do que triplicaram a taxa de lotação do pasto em propriedades rurais do Acre, que subiu de uma para 3,6 Unidades Animal (UA) por hectare.

Os cultivares apresentam boa resistência no pasto e elevada produção de forragem de qualidade, características que proporcionam vida longa às pastagens e aumentam sua capacidade de suporte.

 

Assim, além de reduzir riscos na atividade e garantir retorno econômico para os produtores rurais, a adoção em larga escala de variedades de capins adaptadas a solos de baixa permeabilidade proporciona ganhos ambientais.

“O uso crescente dessas gramíneas tem possibilitado o reaproveitamento de áreas desmatadas e improdutivas na região”, diz Carlos Maurício de Andrade, pesquisador da Embrapa Acre. 

 

A adoção de alternativas tecnológicas gera benefícios em cadeia, destaca o pesquisador da Embrapa Judson Valentim. “É possível tornar a atividade pecuária mais produtiva e atender a exigências legais especificas do setor”, afirma.

Segundo as pesquisas, as forrageiras resistentes ao encharcamento são tolerantes a pragas e doenças e se destacam pela qualidade nutricional. “Esses fatores melhoram a dieta animal e influenciam positivamente a produção e a rentabilidade dos sistemas pecuários da região”, informa Andrade.

 

Estudos científicos também comprovam que, em pastagens implantadas e manejadas adequadamente, as cultivares de forrageiras adaptadas possibilitam o sequestro de carbono no solo e diminuem as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.

Nos últimos 20 anos, foram disponibilizadas para o mercado 14 cultivares de forrageiras dos gêneros Arachis, Brachiaria, Cynodon e Panicum, recomendadas para cultivo em solos encharcados. Entre elas, estão a grama-estrela-roxa e os capins BRS Xaraés, BRS Piatã, BRS Zuri, Humidícola e Tangola, que integram a lista das gramíneas mais cultivadas na região.

Zoneamento de risco

 

embrapa-gramínea-pasto (Foto: Divulgação/Embrapa)

 

Pesquisas da Embrapa indicam que, no contexto amazônico, existem aproximadamente 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. A principal causa é a síndrome da morte capim-braquiarão (cultivar marandu), doença que ocorre em áreas com solos mal drenados.

Para mensurar a gravidade da degradação, pesquisadores desenvolveram uma metodologia de zoneamento de risco da síndrome. O estudo mostrou que, em localidades com predominância de solos sujeitos ao encharcamento e intenso regime de chuvas por longos períodos do ano, a degradação de pastagens devido à morte do capim-braquiarão se acentua.

De acordo com Carlos Maurício de Andrade, em condições de encharcamento, o capim-braquiarão fica vulnerável à ação de fungos presentes no solo, que atacam as suas raízes e reduzem a capacidade de oxigenação. A forma mais eficiente de lidar com o problema é substituir a gramínea por forrageiras tolerantes ao encharcamento do solo.