Governo do RS envia técnicos a fazendas perto da fronteira para monitorar gafanhotos

Nuvem de Gafanhoto (Foto: Governo de Córdova/Divulgação)

 

A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul já faz o monitoramento presencial nas propriedades rurais da fronteira com a Argentina para acompanhar o avanço da nuvem de gafanhotos no país vizinho.

São oito fiscais agropecuários nas cidades de São Borja, Itaqui, Alegrete, São Luiz do Gonzaga, Barra do Quaraí, Uruguaiana e também na região de Santa Rosa. Segundo autoridades argentinas, nesta quarta-feira  (24/6) a praga estaria a 130 quilômetros de Barra do Quaraí.

 

 

“A orientação inicial aos produtores é manter a calma e informar a Defesa Agropecuária no caso de algum problema, diz o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Ricardo Felicetti.

A previsão é de que uma frente fria a partir desta quinta-feira (25/6) possa afastar os insetos do Brasil. “Estamos monitorando o comportamento da nuvem em conjunto com as autoridades sanitárias argentinas. Segundo os relatos, há uma tendência de deslocamento dos insetos para o sul, mantendo-se em território argentino”, disse Felicetti.

Vídeo mostra avanço dos insetos na Argentina:

 

Apesar disso, há temor de que os gafanhotos causem prejuízo à agricultura brasileira, afetando culturas anuais de inverno, como trigo, aveia, cevada, e lavouras perenes, a exemplo de citros, videira e oliveira, bem como pastagens.

Segundo Felicetti, a maior dificuldade para adotar o protocolo em elaboração pela secretaria e o Ministério da Agricultura é a escolha de defensivo que será utilizado para combater os insetos. “A praga já tem princípios ativos, mas para as culturas de verão. Como estamos no inverno, buscamos adaptar os princípios ativos disponíveis”, contou.

A ideia é utilizar como base o manual de procedimentos gerais para o controle da praga, produzido pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), órgão que integra o Ministério da Agricultura argentino – embora nem todas as diretrizes possam ser adaptadas à realidade brasileira.

Aviões a postos

Esse manual contém recomendações para o tratamento nos diversos estágios de evolução do inseto, buscando frear o seu aumento populacional. Um dos exemplos é o tratamento com inseticidas nas fases prematuras e o uso de pulverizadores para a dispersão de químicos. No caso adulto, uma das indicações é o tratamento aéreo com químicos.

Para garantir isso, os governos federal e estadual firmaram uma parceria para o uso da frota de 426 aviões agrícolas do Rio Grande do Sul caso a nuvem entre no Brasil. “Os gafanhotos não vão atacar uma área definida, mas diversas propriedades rurais. Por essa razão, entendemos que é uma ação de governo”, afirmou o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Gabriel Colle.

A efetividade da aplicação seria para uma pulverização controlada, seja aérea ou terrestre, para quando estiverem assentados. Nós não temos possibilidade de efetuar o controle da nuvem em voo
Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura do RS

Ele acredita que, caso a nuvem cruze a fronteira, será necessário apenas metade dos aviões disponíveis, já que o restante do trabalho seria desempenhado com pulverizadores em solo. Felicetti, da Secretaria da Agricultura, pondera que o controle realizado com aeronaves só é possível quando o inseto está em ambiente terrestre.

Nuvem avança para o sul

 

Nesta quarta-feira (24/6), o engenheiro agrônomo e chefe do Programa Nacional de Gafanhotos do Senasa, Hector Emilio Medina, informou que a nuvem de gafanhotos avançou e estava a 15 a 20 km da província de Entre Ríos.

“O gafanhoto é uma praga migratória, que não reconhece limites ou fronteiras. Em um dia, pode viajar até 150 quilômetros e, por exemplo, atravessar de uma província para outra, ou mesmo de um país para outro em poucas horas”, diz o boletim da Senasa.

Avanço da nuvem de gafanhoto (Foto: Reprodução)

 

De acordo com o Ministério da Agricultura, a praga está presente no Brasil desde o século 19 e causou grandes perdas às lavouras de arroz no sul do país nas décadas de 1930 e 1940. No entanto, desde então tem permanecido na fase “isolada”, sem danos às lavouras.

Para realizar um monitoramento preciso, autoridades fitossanitárias brasileiras encontram-se em permanente contato com as autoridades argentinas, bolivianas e paraguaias, por meio do Grupo Técnico de Gafanhotos do Comitê de Sanidade Vegetal (Cosave).